Dissertações – 2016

Neste ano até o momento foram defendidas 17 dissertações.

Útlima atualização 10/06/2019

 

Andreia Cardozo Quadrio

Título: A hipossegmentação no segundo segmento do ensino fundamental - alunos típicos e atípicos

Orientador(a): Gean Nunes Damulakis

Co-orientador(a): Maria Cecília de Magalhães Mollica

Páginas: 123


A pesquisa da Dissertação de Mestrado volta-se para os processos de hipossegmentação na escrita de alunos do Segundo Segmento do Ensino Fundamental, a exemplo de oque, comedo, porisso, tenque. Tais registros são comuns na escrita de alunos no Fundamental II, quando se espera que quase todos os problemas ortográficos referentes à segmentação de palavras estejam sanados. O foco do estudo consiste na comparação entre as ocorrências de processos de hipossegmentação na escrita de textos escolares de sujeitos típicos e atípicos. Pretende-se controlar algumas variáveis externas como idade e escolaridade e a variável inerente aos sujeitos, como o tipo de atipicidade, com vistas a verificar a correlação do efeito dos parâmetros em relação aos índices de emergência do processo supramencionado. Os resultados obtidos revelam que: (a) tanto alunos típicos quanto atípicos cometem “erros” classificados na literatura como hipossegmentação, no que concerne ao emprego dos clíticos; (b) é maior a quantidade de emprego do processo na escrita dos atípicos; (c) os sujeitos atípicos realizam a hipossegmentação não somente na formação de palavras prosódicas, conforme os exemplos: sinporque e sotinha; (d) observa-se a relevância da variável etária e ano de escolaridade: com o avanço da idade e da série, o número de ocorrências tende a diminuir. Busca-se aprofundar a análise de modo a refinar a classificação dos casos de hipossegmentação, com base teórica sólida nas áreas de Fonologia e afins, e de verificar a sistematicidade do comportamento de outras hipóteses tal como tipos de atipicidade, sintomas linguísticos apresentados pelos transtornos dos sujeitos da amostra, idade. Por fim, elaboram-se atividades de intervenção pedagógica pautadas principalmente nas teorias da fonologia que contribuem para a solução dos casos apurados neste estudo.

Palavras-chave: Hipossegmentação, Atipicidade, Ensino Fundamental II.

 

Andreza Alves da Silva Bandeira

Título: Desenvolvimento metalinguístico através da identificação das informações principais e secundárias do texto e do levantamento de especulações em atividades de leitura

Orientador(a): Ana Flávia Lopes Magela Gerhardt

Páginas: 131


Reconhecer que aprimorar as potencialidades do aluno enquanto leitor é de suma importância para o ensino e a aprendizagem da leitura. Baseados nesse princípio, apresentamos esta pesquisa de dissertação que tem como objetivo geral contribuir para o ensino de língua, especificadamente de leitura, apresentando uma metodologia de trabalho com a leitura que promova o desenvolvimento metalinguístico do aluno, enfocando em duas ações metalinguísticas que contribuem para a compreensão leitora: a geração de especulações e a identificação de informações principais e secundárias do texto. O foco deste estudo são 34 alunos do 6º ano do Ensino Fundamental. Para o desenvolvimento deste trabalho, nos fundamentamos na pesquisa sobre os níveis de leitura de Applegate et al (2002), bem como do estudos das Ciências da Cognição, a fim de confirmar que é possível a sistematização das ações de leitura mencionadas em materiais didáticos voltados para leitura. Como metodologia de pesquisa, fizemos a análise de atividades de leitura presentes em um livro didático a fim de ratificarmos a premissa de que os materiais utilizados nas escolas brasileiras apresentam atividades de leitura que não ultrapassam a linearidade textual. Além disso, elaboramos e aplicamos a Unidade Didática que sistematiza as ações de leitura referentes à geração de especulações e identificação de informações principais e secundárias do texto. Os resultados da Unidade Didática elaborada mostram que boa parcela dos alunos responde satisfatoriamente às atividades. Além disso, os resultados da pesquisa nos revelam a necessidade de maiores práticas em sala de aula, com enfoque nas ações metalinguísticas de comparar, identificar, corrigir e construir, pois essas favorecem a tomada de consciência acerca dos caminhos de leitura que o aluno realiza. A presente pesquisa ratifica, então, as potencialidades do aluno no que concerne à leitura, confirmando que dependendo da forma como a leitura é trabalhada, o resultado é positivo.

Palavras-chave: Desenvolvimento metalinguístico. Leitura. Especulações. Informação principal. Informação secundária.

 

Anselmo da Silva Vieira

Título: Desenvolvimento metacognitivo no estabelecimento de inferências em atividades de leitura

Orientador(a): Adriana Leitão Martins

Páginas: 159


Esta pesquisa tem como objetivo mais geral contribuir para um ensino de língua voltado para o desenvolvimento metacognitivo na leitura de textos. Para tanto, com base nos pressupostos teóricos que nortearam esta pesquisa, sobretudo em Gerhardt (2016) e Applegate et al (2002), traçamos três objetivos mais específicos para este estudo. O primeiro deles consiste numa análise de um conjunto de atividades de leitura em um livro didático de Língua Portuguesa de Ensino Fundamental a fim de verificar o nível de leitura avaliado pelas atividades de compreensão leitora que se encontram nele, mormente se contempla ou não o processo inferencial. O segundo, em elaborar uma unidade didática, ancorada em estratégias metacognitivas, como proposta alternativa de exercícios, para ser aplicada a alunos do nono ano com vistas a contribuir para o desenvolvimento metacognitivo dos alunos por meio de atividades compostas por comandos específicos de identificação, comparação, correção e construção de inferências na leitura de um texto. O terceiro, por fim, em analisar quantitativa e qualitativamente os dados colhidos por ocasião da aplicação da unidade didática a fim de reforçar a potencialidade leitora dos alunos. Como metodologia, aplicamos esta unidade didática a 33 alunos participantes de duas turmas de nono ano do Ensino Fundamental da rede municipal de Belford Roxo no estado do Rio de Janeiro. Os resultados indicaram que cerca de 60% dos alunos não só realizaram inferências que exigiam uma conclusão lógica como resposta como também justificaram de forma segura e consciente o caminho percorrido para o estabelecimento dessas inferências, o que demonstra o desenvolvimento metacognitivo da habilidade inferencial em atividade de compreensão leitora.

Palavras-chave: Leitura. Inferência. Desenvolvimento metacognitivo. Livro didático.

 

Cristiane Barbalho da Silva Gaio de Sá

Título: Processos referenciais nominais no gênero carta do leitor: análise e propostas de atividade

Orientador(a): Leonor Werneck dos Santos

Páginas: 111


A partir do aparato teórico da Linguística de Texto, esta dissertação tem como objetivo principal apresentar propostas de atividade que visem ao trabalho com o processo de referenciação, nas aulas de Língua Portuguesa em turmas do 9º ano, articulado ao ensino do gênero textual carta do leitor. Nos processos referenciais, vinculados aos pressupostos teóricos de Mondada e Dubois (2003), Koch e Elias (2007), Cavalcante (2013), Santos (2014), dentre outros pesquisadores, pretendemos destacar o papel recategorizador que as anáforas diretas, por meio de formas nominais, realizam na retomada de seus referentes, a fim de despertar no aluno um ensino crítico e consciente do uso da língua. A importância do tema decorre da necessidade de despertar no aluno a observação do valor argumentativo de alguns mecanismos referenciais que podem revelar julgamentos, valores e opiniões dos enunciadores. Assim, conforme preveem os PCN, objetivamos articular um ensino de Língua Portuguesa que envolva leitura, análise linguística e produção de texto, tendo a língua como um produto histórico, social, pragmático e interacional, de acordo com o estudo de gêneros proposto por Koch (2002), Dolz e Schneuwly (2004), Koch e Elias (2007), Marcuschi (2010), dentre outros.

Palavras-chave: Referenciação; gênero textual; carta do leitor; ensino

 

Danieli Silva Chagas

Título: Concordância verbal de terceira pessoa: descrição sociolinguística e proposta pedagógica em turmas do ensino fundamental

Orientador(a): Silvia Rodrigues Vieira

Páginas: 201


O presente trabalho objetiva (i) descrever e analisar os padrões de concordância verbal de terceira pessoa praticados por alunos de turmas do oitavo ano do ensino fundamental de um colégio estadual da cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, localizando-os no “continuum” de concordância proposto por Lucchesi (2009) para caracterizar as variedades brasileiras; e (ii) elaborar uma proposta pedagógica visando a promover maior consciência linguística dos alunos acerca do fenômeno, a fim de ampliar seu repertório, para que sejam capazes de realizar usos populares ou cultos, mais ou menos monitorados, em acordo com a situação de interação em que estejam inseridos. A proposta pedagógica é idealizada a partir dos três eixos para o ensino de gramática (VIEIRA, no prelo), a saber, (i) o ensino de gramática como atividade reflexiva (FRANCHI, 2006; BASSO e OLIVEIRA, 2012; FOLTRAN 2013), (ii) o ensino de gramática vinculado à produção de sentidos (NEVES, 2013; PAULIUKONIS, 2014; ORLANDI, 2006; SIGNORINI, 2006; SIGNORINI, 2008) e (iii) o ensino de gramática relacionado ao plano da variação e normas (VIEIRA, 2013; GÖRSKI; FREITAG, 2013; MARTINS, VIEIRA, TAVARES, 2014). Para concretizá-lo, foi realizada, inicialmente, uma experiência-piloto, que possibilitou a análise das crenças e atitudes dos alunos, através de (i) formulário de pesquisa sobre as crenças com relação à variação linguística e ao ensino de língua portuguesa e (ii) exercícios que analisam a atitude dos alunos face à variação em concordância verbal. Além disso, foi realizada uma pesquisa de base sociolinguística, através dos dados obtidos por meio de redações de alunos do oitavo ano, nas quais se objetivou verificar que contextos funcionam como gatilhos para a não concordância padrão. Dentre os padrões de concordância utilizados pelos alunos, foi possível constatar que os principais fatores condicionadores da não concordância são a posição do sujeito e a saliência fônica. Verificamos, também, que os alunos não ocupam as posições mais baixas no mapa da concordância verbal no Brasil, tendo apresentado, em termos gerais, padrão de concordância em índices semelhantes aos observados em bairros cariocas cuja população tenha nível de escolaridade mediano. A proposta pedagógica objetiva, com base nas reflexões travadas ao longo do trabalho, oferecer alternativas para o ensino da concordância verbal que não estejam ligadas à mera memorização de um padrão geral, de modo que os alunos, além de serem capazes de utilizar usos mais ou menos monitorados, consigam analisar o nível de estigma inerente a cada um desses usos e também perceber o caráter subjetivo destes, por seu valor indexical, baseando-se na concepção de letramentos múltiplos.

Palavras-chave: Ensino de Língua Portuguesa, Concordância Verbal, Variação, Consciência Linguística, Letramentos múltiplos.

 

Débora Ventura Klayn Nascimento

Título: Desenvolvimento metalinguístico através do estudo de relações lógicas de paráfrases em atividade de leitura

Orientador(a): Ana Flávia Lopes Magela Gerhardt

Páginas: 156


Entendendo a leitura como parte fundamental das aulas de língua portuguesa, buscase investigar estratégias eficazes na contribuição para o desenvolvimento das habilidades metalinguísticas dos educandos que cursam o segundo segmento do Ensino Fundamental. Para tanto, focam-se duas ações de leitura importantes para a compreensão textual: o estabelecimento de relações lógicas e a realização de paráfrases. Ciente de que essas ações fazem parte dos processos operados naturalmente durante o ato da leitura, parte-se dos estudos referentes ao desenvolvimento metacognitivo e mais especificamente ao desenvolvimento metalinguístico para demonstrar que a sistematização de tais ações de leitura pode ocorrer em materiais didáticos voltados para o nono ano de escolaridade, de modo que as atividades de compreensão leitora contribuam para a tomada de consciência, por parte dos alunos, sobre esses processos. Se, por um lado, este trabalho comprova que as atividades de leitura presentes em material didático largamente utilizado em escolas brasileiras não se utilizam do nível meta da linguagem, por outro, ele mostra que é possível a elaboração de unidade didática eficaz para a sistematização das ações de leitura concernentes ao estabelecimento de relações lógicas e à feitura de paráfrases e, além disso, que é possível o alcance do nível meta de linguagem em uma atividade de compreensão leitora. Mais do isso, os resultados da aplicação da proposta didática elaborada permitem perceber que os alunos do segundo segmento atingem, satisfatoriamente, o nível meta de linguagem, desde que expostos a um material que favoreça a tomada de consciência sobre os processos de leitura que eles realizam de forma intuitiva. Esta pesquisa, portanto, reafirma a potência leitora dos alunos, provando que, quando as ações didáticas contribuem, os resultados são satisfatórios.

Palavras-chave: Desenvolvimento metalinguístico. Leitura. Paráfrases. Relações lógicas.

 

Heloisa da Costa Miranda

Título: Gênero oral em sala de aula: entrevista

Orientador(a): Leonor Werneck dos Santos

Páginas: 98


Esta Dissertação procura ressaltar as importantes contribuições teóricas no campo dos gêneros textuais (Marcuschi, 2008), sobretudo, na área da oralidade (DOLZ; SCHNEUWLY, 2004) e sua relação com a escrita (MARCUSCHI, 2010), por meio de uma abordagem sociointeracionista. Também são enfatizadas as noções de língua, texto e sujeito na perspectiva da Linguística de Texto, conforme Koch e Elias (2008). A pesquisa contribui para a aplicação desses conceitos nas aulas de português, atendendo às recomendações dos PCN (1998), que, de forma explícita, incentivam o trabalho com gêneros textuais orais e a oralidade como objeto de ensino-aprendizagem. Nesta pesquisa, buscamos elaborar um conjunto de atividades que abarque questões associadas à forma e à função do gênero entrevista, assim como aspectos relacionados a algumas características da oralidade e sua relação com a escrita, por meio de atividades de retextualização. As atividades foram aplicadas em quatro turmas de Peja (Programa de Educação de Jovens e Adultos) II, correspondentes ao Ensino Fundamental II. Além disso, com o intuito de refletir sobre o fazer docente, realizamos um diário de experiência escolar, após a aplicação das atividades. Nossos objetivos, portanto, são: oferecer subsídios teórico-metodológicos que apoiem o trabalho do docente; ampliar e divulgar as discussões sobre a oralidade e sua relação com a escrita, por meio do gênero textual oral entrevista, incentivando docentes a trabalhar com o gênero textual oral em sala de aula; e contribuir para que o conhecimento científico sobre os temas abordados possam ser traduzidos e aplicados nas práticas de ensino.

Palavras-chave: gêneros textuais, entrevista oral, oralidade, escrita, práticas de ensino

 

Isabela Boechat Marques

Título: O aluno do PEJA e a leitura literária

Orientador(a): Ana Crélia Dias

Páginas: 141


As escolas que possuem PEJA (Programa de Educação de Jovens e Adultos) geralmente apresentam crescente preocupação voltada à educação inclusiva, já que nessa esfera há grande evasão e histórico de exclusão dos alunos, que impossibilita um trabalho continuado. Desse modo, surgiu a necessidade de repensar a eficácia do PEJA, para que os alunos pudessem ter aulas significativas. Para tentar atuar dessa forma, o propósito do trabalho docente foi promover a leitura literária entre eles. A partir da estratégia de leitura oral e debate mediado pelo professor, os estudantes registravam suas apreensões nos diários de leitura. Além dos registros dos estudantes, também há aqui outros pontos de vista para análise do trabalho com a leitura literária, o da professora que ministrou as aulas e de outra professora, que assistiu a algumas aulas e agiu como colaboradora da pesquisa. Sendo assim, a pesquisa apresenta reflexões sobre a formação do leitor literário nesta modalidade de ensino, então após coletar os dados de todos os envolvidos, foram feitas análises de diferentes recepções, com a comparação de perspectivas distintas, que envolveu: a escolha do texto a ser lido; a preparação da aula; a realização da aula; a recepção dos alunos, da professora colaboradora e da professora da turma; e o cruzamento dessas informações, que variavam de acordo com o ponto de vista. Ao observar essas inúmeras visões, reflexões voltadas para a formação do leitor literário foram suscitadas. Para embasar teoricamente esse percurso, foram buscados textos de Annie Rouxel (2013), Antônio Cândido (2011), Beatriz Sarlo (2001), Paulo Freire (2014), Teresa Colomer (2007) e outros teóricos que abordam a temática da leitura, literatura e escola.

Palavras-chave: Leitura literária; recepção; mediação; formação do leitor; PEJA.

 

Isabela Passos Gouvêa

Título: Variação das formas interlocutivas de segunda pessoa: estratégias pedagógicas

Orientador(a): Silvia Rodrigues Vieira

Páginas: 134


Este trabalho tem por objetivo geral abordar a variação relativa à segunda pessoa do singular discursiva, considerando sobretudo as formas mais produtivas no falar carioca, na função de sujeito, bem como propor um conjunto de atividades didáticas linguísticas, epilinguísticas e metalinguísticas (cf. Franchi, 2006), originalmente elaboradas, a fim de promover a abordagem reflexiva do referido tema gramatical – suas formas, funções e referência no contexto discursivo. Para sua realização, adotaremos como referencial a proposta experimental de Vieira (no prelo) para o ensino de gramática baseada em três eixos, quais sejam: gramática e atividade reflexiva (Eixo 1); gramática e texto (Eixo 2) e gramática e variação linguística (Eixo 3), assumindo, ainda, os contínuos de variação propostos por Bortoni-Ricardo (2004). Além dos fundamentos teóricos da investigação e do tratamento descritivo do tema, com base em trabalhos sobre a expressão da 2ª pessoa discursiva, desenvolvemos o relato de experiência inicial em sala de aula, seguido da síntese de alguns de seus resultados, que serviram de base à elaboração das referidas atividades, com o intuito de permitir que o aluno desenvolva reflexivamente o domínio, por meio da linguagem, das formas pronominais de 2ª pessoa, especialmente as do Rio de Janeiro, considerando contextos interlocutivos da língua em situações reais de uso. Em seguida, apresentamos nova etapa de propostas pedagógicas, em duas sequências de atividades, experimentadas parcialmente, cujos resultados puderam ser apresentados e apreciados. Dessa forma, pretendemos oferecer contribuições para instrumentalizar os estudantes a refletir sobre o fenômeno em questão de forma mais crítica, autônoma e eficaz, nas variadas situações comunicativas, nas modalidades falada e escrita, expandindo sua experiência enquanto leitores e produtores de texto de gêneros diversificados.

Palavras-chave: Variação. Segunda pessoa do singular. Atividades didáticas. Contextos interlocutivos.

 

Josianne Pereira de Carvalho Machado

Título: As letras de rock nacional na sala de aula: instrumental na formação do leitor crítico

Orientador(a): Maria Aparecida Lino Pauliukonis

Páginas: 156


O objetivo desta pesquisa é demonstrar a aplicabilidade das letras de rock nacional dos anos 80 como instrumentais em atividades de leitura e interpretação de textos para o segundo segmento do ensino fundamental, como forma de contribuir para a formação de indivíduos reflexivos, críticos, capacitando-os para que se posicionem diante do mundo que os rodeia. Em um primeiro momento, foi feita uma revisão de literatura sobre letramento crítico, leitura, análise crítica do discurso e sobre a proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa para o trabalho com textos no segundo segmento do ensino fundamental, assim como uma breve contextualização histórica da época em que as letras de rock selecionadas foram difundidas – a década de 1980. Posteriormente, apresentou-se o corpus escolhido para este estudo, composto por oito letras de rock nacional e uma apreciação sobre o gênero “letra de música/canção”. Os passos seguintes consistiram na elaboração de atividades de leitura – com base na teoria de Applegate et al (2002), análise linguística e produção textual, seguida da aplicação destas atividades em uma turma de nono ano do ensino fundamental e duas da última etapa de escolaridade da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Paralelamente à apresentação dos resultados obtidos, foram realizadas breves análises do discurso de cada canção trabalhada, para explicitar a interpretação que orientou a docente na elaboração das questões e na condução dos debates junto às turmas. Os resultados obtidos revelam que o material produzido se configura em um instrumental interessante para se trabalhar a análise e a crítica junto a alunos desses níveis de escolaridade, porém ratificam a necessidade de se priorizar as atividades de produção textual no contexto escolar, para que os alunos adquiram segurança ao registrarem seus pensamentos e consigam considerar a produção textual como algo natural e fundamental em suas rotinas, sejam estas intracurriculares ou extracurriculares.

Palavras-chave: Leitura. Letramento. Análise do discurso. Letras de rock. Ensino fundamental . EJA.

 

Kelly de Moraes Tarjano Santos

Título: Leitura literária: direito de todos, dever da escola

Orientador(a): Maria Aparecida Lino Pauliukonis

Páginas: 165


Acreditamos que a leitura atenda a diversas finalidades dentre elas, o deleite, a fruição e a reflexão. Entretanto, nas escolas, as práticas de leitura têm servido, muitas vezes, como pretexto ou para o ensino da língua, ou sobre a literatura, por isso o aluno continua longe de ser levado ao gosto pela leitura e está a cada dia mais entediado com seus estudos. Nosso trabalho parte de reflexões sobre o aluno-sujeito para quem a leitura, sobretudo a do texto literário, é objeto de luxo e distante de seu contexto sociocultural, revelando assim uma crença estilizada dada a literatura pela classe dominante. Para muitos excluídos literariamente, a ausência da leitura literária dá-se não só por falta de referências culturais, mas, também, pela forma como a literatura lhes é retratada na escola, como um bem inacessível e distante da realidade, daí buscarmos conhecer e apresentar propostas, neste trabalho, sobre o real letramento literário. Partimos de um pressuposto: é preciso ―reconhecer que aquilo que consideramos indispensável para nós é também indispensável para o próximo‖ (CANDIDO, 1995, p. 239). Em nossa prática pedagógica diagnosticamos dificuldades leitoras na maioria dos alunos. Através de estudos teóricos e da própria observação pedagógica realizamos esta pesquisa de intervenção, de base qualitativa, cujo objetivo é provar que além da escola não estar cumprindo seu papel de difusora dessa prática, é possível promover, na escola pública, a leitura de textos literários. Acreditamos que o ensino e prática das estratégias metacognitivas consolidam o processo de leitura, por possuírem a característica de monitoração, proporcionando aos alunos desenvolvimento leitor proficiente, tornando-os leitores maduros, conscientes. Para desenvolver nossas análises pautamos este estudo nas concepções de autores como Cândido, Colomer, Lajolo, Soares, Giroto e outros. A pesquisa aconteceu com alunos de 8º e 9º anos, do CIEP-098 Hilda do Carmo, da cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, aos quais aplicamos testes e estratégias sobre três contos: A menina de lá, de Guimarães Rosa, Tchau, de Lygia Bojunga e O menino que escrevia versos, de Mia Couto. Entrevistas foram realizadas a fim de perceber como o aluno utiliza as estratégias de leitura, qual seu gosto pela leitura e com que frequência lê. Finalizamos com análises das entrevistas e das respostas e/ou atividades aplicadas no círculo de leitura com os três textos literários escolhidos, registrando análise dos resultados sobre o desenvolvimento cognitivo e o crescimento escolar que o acesso a essas leituras proporcionou ao grupo.

Palavras-chave: Leitura. Literatura. Texto literário. Estratégias de leitura.

 

Leandro Sant'anna da Silva

Título: Música e clíticos pronominais: uma proposta para o ensino de língua portuguesa

Orientador(a): Karen Sampaio Braga Alonso

Páginas: 129


Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa defendem um ensino de gramática articulado com o estudo do texto, numa perspectiva que considera não somente a norma-padrão da língua, mas também as variedades de uso, cultas e populares, no intuito de ampliar a competência sociocomunicativa do aluno. As pesquisas sociolinguísticas a respeito do atual quadro pronominal do Português Brasileiro, bem como da colocação das formas pronominais oblíquas átonas, demonstram significativo distanciamento entre o que prescreve a norma-padrão, norteadora dos manuais de ensino utilizados nas escolas, e os usos efetivos dos usuários da Língua Portuguesa no Brasil. Desse modo, ancorada nos pressupostos de que a música favorece os processos de aprendizagem, esta pesquisa de mestrado investiga as contribuições da música para o trabalho com os clíticos pronominais em sala de aula e pressupõe que a utilização da música no tratamento de outros temas gramaticais obtém os mesmos efeitos. A partir deste trabalho, foi possível atestar aspectos mencionados na fundamentação teórica, como as tendências de uso dos clíticos pronominais no Português Brasileiro contemporâneo, e que a música contribui principalmente para despertar a atenção e o interesse do aluno para a temática tratada em sala de aula.

Palavras-chave: Música. Clíticos pronominais. Língua Portuguesa. Gramática, variação e ensino.

 

Luana Rodrigues de Oliveira dos Santos

Título: Machado no ensino fundamental: pode isso? Mediação dos clássicos: estratégias e diálogos

Orientador(a): Ana Crélia Dias

Páginas: 79


Qual o espaço concreto da literatura na escola? A pergunta gera inúmeras discussões, e na prática o que fica claro é o vácuo existente entre o ensino fundamental I e o ensino médio, principalmente no que diz respeito à leitura de grandes clássicos da literatura no ensino fundamental II. Esse quadro acaba gerando a perda de um grande número de leitores em potencial de obras canônicas e tantas outras experiências possíveis de serem vividas a partir da leitura literária. Logo, percebe-se a necessidade de levar essa literatura efetivamente para dentro da sala de aula, na faixa etária de maiores transformações que é o ensino fundamental II, para além do ensino de gênero literário, e a partir daí criar força leitora para romper os muros da escola. Esse trabalho traz reflexões sobre a leitura literária, no 9º ano do ensino fundamental II, em um colégio estadual, fazendo, em especial, a inserção de uma obra literária canônica, no caso O alienista, de Machado de Assis. Para tanto, serão propostas algumas estratégias de mediação, principalmente a escolha da obra O mistério da Casa Verde, de Moacyr Scliar, que constitui um diálogo intertextual com o conto machadiano, com o objetivo de despertar curiosidade sobre o texto clássico; e a escolha da realização de uma leitura oral e compartilhada. Entendendo o acesso à literatura como direito de todos, esta dissertação pretende debruçar-se então sobre práticas de mediação do texto canônico e tecer reflexões sobre elas, com o amparo teórico de autores como COLOMER, CANDIDO, CALVINO, ROUXEL, JOUVE, COSSON, dentre outros.

Palavras-chave: Literatura; Cânone; Diálogo Intertextual; Leitura Oral; Leitura Compartilhada; Ensino fundamental II.

 

Marcos Cortinovis Carvalho

Título: Leitura e retextualização no ensino de língua portuguesa no contexto prisional

Orientador(a): Danúsia Torres dos Santos

Páginas: 124


Com base em proposta pedagógica de retextualização, esta pesquisa de dissertação objetiva promover o incentivo à leitura e à produção textual. A pesquisa foi realizada em uma escola pública estadual que funciona em ambiente prisional, portanto os sujeitos desta pesquisa são alunos adultos do 8º ano do ensino fundamental, anos finais da Educação de Jovens e Adultos (EJA), que vivem em situação de privação de liberdade. Para desenvolver este trabalho, foi necessária a observação de dois aspectos: o primeiro trata dos aspectos legais em que se apoia a educação escolar no Brasil, especialmente no que se refere à educação escolar em âmbito prisional, o que contribui, inclusive, para contextualizar esta pesquisa; o segundo aborda aspectos voltados para os pressupostos teóricos sobre leitura e produção textual. Para isso são usadas as lições de Santos et al e Koch e Elias, as quais versam sobre a interação do leitor com o texto; os ensinamentos de Marcuschi sobre a construção do sentido do texto; e também em Applegate et al, que propõe quatro níveis diferentes de leitura, os quais concorrem para a compreensão textual. O resultado da pesquisa confirma que a retextualização, considerada como produção textual orientada pela transformação de um gênero em outro, estimulou nos alunos o interesse pela leitura, visto que eles perceberam que são capazes de fazer leituras mais competentes. Além disso, a retextualização auxiliou nas produções textuais dos alunos, pois seus textos foram orientados pelas informações contidas em outro texto.

Palavras-chave: Leitura. Produção Textual. Retextualização. Educação escolar nas prisões. EJA.

 

Roberta dos Santos de Oliveira

Título: A variação linguística e o ensino da língua portuguesa como língua materna

Orientador(a): Karen Sampaio Braga Alonso

Páginas: 132


Os objetivos deste trabalho são investigar como o livro didático do sexto ano do Ensino Fundamental da coleção Projeto Teláris, das autoras Ana Trinconi Borgatto, Terezinha Bertin e Vera Machezi aborda o tema da variação linguística e propor uma sequência de atividades que possa contribuir para a promoção de uma pedagogia sensível às diferenças sociolinguísticas e culturais dos alunos. Tanto a análise quanto a proposta de intervenção são baseadas nos estudos de Preti (1982), Bagno (2004), Bortoni-Ricardo (2006), Faraco (2008), entre outros autores e nos documentos oficiais do MEC: PCN (1998) e Guia do PNLD (2013). Verifica-se por meio da análise do livro didático que há um empenho no sentido de adequação aos estudos linguísticos, porém, em alguns momentos encontramos problemas como a dicotomia entre a oralidade e a escrita, a não percepção da variação linguística como um fenômeno gradual, disposto em contínuos e a insistência em exercícios de reescrita utilizando linguagem formal sem uma modificação de contexto que a justifique. Dessa forma, lembramos a importância da autonomia do professor na preparação de suas aulas, selecionando e até mesmo produzindo o próprio material didático, caso haja necessidade. A partir da interpretação da tabela de resultados da sequência, podemos perceber uma boa compreensão dos conteúdos, embora a dificuldade na compreensão de textos e na expressão por meio de frases completas e coerentes tenha prejudicado um pouco o desempenho dos alunos nas respostas às questões. Percebemos também que a cultura do “erro” está bastante presente entre os alunos. Esse fato revela que ainda há muito trabalho a ser feito no sentido de combater comportamentos caracterizados pelo preconceito linguístico.

Palavras-chave: Variação Linguística. Livro Didático. Ensino.

 

Silvana Pinto Rodrigues da Costa

Título: Literatura: um embaraçoso convívio para os professores de língua portuguesa

Orientador(a): Ana Crelia Penha Dias

Páginas: 83


Pensando sobre a formação de leitores no espaço escolar, este trabalho se debruçou sobre a figura do professor, no sentido de pensar sobre a importância de ser ele leitor de literatura para empreender a tarefa de formar seus estudantes. Para fazer uma reflexão nesse sentido, foi necessário traçar um breve perfil dos professores de língua portuguesa de algumas escolas municipais e estaduais do estado do Rio de Janeiro; seus paradigmas em relação ao ensino da literatura; a influência da crescente desvalorização do professor como fator determinante para a manutenção do status quo e das práticas atuais; a importância de um processo contínuo de formação docente; para, assim, partindo de uma modificação interna em relação às próprias práticas, constituírem-se leitores literários, capazes de formar outros leitores. Tendo em vista tais objetivos, optamos por uma abordagem metodológica de base qualitativa. Para isso, foram analisados 20 questionários intitulados “autobiografia de leitor”, endereçados a professores do ensino fundamental II e/ou do ensino médio das redes públicas da cidade do Rio de Janeiro. A partir dessa análise, foram sistematizados os perfis desses profissionais, seus problemas mais frequentes e a possível relação com a prática do ensino da literatura nas escolas. Somente através de uma intimidade com a leitura literária, construída também na prática docente, podemos construir uma relação mais aprofundada com a literatura, transmitindo-a aos nossos alunos.

Palavras-chave: professor; aluno; leitura literária; texto literário; leitor literário; literatura.

 

Verônica Tozzo de Queiroz

Título: A ausência do registro da vibrante na escrita de alunos do ensino fundamental II em ambiente on-line e off-line

Orientador(a): Gean Nunes Damulakis

Páginas: 124


A presente pesquisa tem o foco na influência exercida pela fala na escrita de alunos do Ensino Fundamental II em ambiente on-line e off-line no que diz respeito ao cancelamento do grafema em coda final de palavras. O trabalho apresenta o controle do fenômeno sob a ótica de varáveis linguísticas e extralinguísticas com o objetivo de traçar intervenções pedagógicas eficazes para amenizar esse processo fonológico com reflexo na escrita, pois passa a ser erro ortográfico nessa instância. Além disso, este estudo se propõe a comparar as realizações dos alunos nos ambientes virtual e real para averiguar se a internet seria um ambiente mais propício à influência da oralidade na escrita. Para tanto, usou-se uma produção de texto para a captação dos dados off-line e mensagens instantâneas geradas através do aplicativo WhatsApp pelo dispositivo celular para a captação dos dados on-line. Desta forma os dados mostraram que, a despeito do senso comum, apesar de a internet ser um ambiente mais suscetível à influência da fala, ela não é um fator de influência negativa sobre a escrita de seus usuários. É, antes de tudo, um ambiente que abarca a linguagem formal e informal, dependendo do suporte escolhido para ser utilizado, assim como acontece com os suportes do ambiente real. No caso desta pesquisa o WhatsApp por permitir o envio de mensagens instantâneas, assemelhadas à conversa, tende a ser um ambiente mais informal, dando espaço ao registro mais informal da língua.

Palavras-chave: fala, escrita, intervenções, ambientes on-line e off-line, linguagem formal e informal

 

 

 

 

COORDENAÇÃO

Coordenador: Professor Gean Nunes Damulakis
damulakis@letras.ufrj.br

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